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As sacolas, os bolsos e as culpas

Artigos • 28 de fevereiro de 2012 | por Tatiana Amaral

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As sacolas, os bolsos e as culpas

No ano passado se iniciou pelo país uma “onda” legislativa que proíbe ou restringe o uso das sacolas plásticas, em estados ou cidades da região sudeste. Aquelas inocentes sacolinhas que nos são tão cômodas no dia a dia, para quase tudo, posto que são, em geral diversas vezes reutilizadas. Os alvos são os estabelecimentos em que elas mais nos servem, supermecardo, padarias, farmácias etc..

A questão agora enfrenta batalhas judiciais, tanto nos aspectos formais das diversas legislações quanto no mérito.  Paralelamente estamos sempre às voltas com fóruns e questões ambientais em diversos níveis e abrangências. Basta lembrar a questão de Belo Monte. Não há qualquer dúvida de que o Brasil é possuidor de uma fonte privilegiada de fornecimento de energia eólica e solar, pelo menos. Não há também qualquer dúvida de que muitos dos melhores técnicos no setor de energia, engenharia, etc. são obrigados a deixar o país, rumo ao primeiro mundo, para desenvolver ou dar continuidade a seus projetos, posto que, num país onde o custo do material escolar de uma criança chega facilmente a tres salários mínimos, a destinação orçamentária obedece a uma preferência inversamente proporcional ao interesse de desenvolvimento sustentável na geração de recursos energéticos

A cartilha de Maquiavel, detalhada nas suas obras literárias, continua sendo seguida à risca em malefício do interesse social.Também as técnicas de distrair a população com assuntos polêmicos desviando a atenção para os males maiores, continuam em plena aplicação. Provavelmente a proibição ou não das sacolas terá mais repercussão do que os acidentes com usinas nucleares e os acidentes provocados pela Petrobrás.

O drama de aprovação do código florestal reflete a contradição de interesses entre desenvolvimento e preservação. Enquanto isso, na Alemanha, onde os habitantes revendem as garrafas plásticas usadas diretamente nos mercados, há anos o governo financia os projetos de equipamentos para energia solar nas residências, comprometendo-se a adquirir o excedente como desconto no débito. Lembrando que a intensidade do sol Germânico dura apenas três meses por ano. A Paraíba foi ousada no estudo dessa tecnologia solar, alguém saber dizer o que aconteceu com os técnicos ou os projetos?

O encaminhamento das discussões e do futuro tecnológico do país e o tema das sacolinhas, traz a lembrança de uma cena do romance de Fiedor Dostoiévsk – Recordações da Casa dos Mortos- onde o personagem- autor- sofria furtos constantes na prisão pelos seus próprios companheiros de cárcere: “Nem é preciso dizer que levaram todo o meu dinheiro. Sem contar que no dia seguinte me vieram pedir emprestado três vezes.”

E assim seguiremos, com equipamentos de geração de energia sucateados ou ultrapassadíssimos em tecnologia e produtividade, adquiridos de segunda mão da Europa, desprezando nossos maiores potenciais energéticos enquanto o legislativo esta conseguindo responsabilizar as donas de casa pela degradação do planeta com suas terríveis sacolas plásticas.
Se as sacolas tão úteis para compras e depois reutilizadas para dejetos forem abolidas, muita coisa terá que ir direto para descarga!! Poderíamos aproveitar e mandar algumas pessoas também.

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