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Luta de três

Artigos • 28 de fevereiro de 2012 | por Tatiana Amaral

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Luta de três 

 Vivemos para o direito de nosso constituinte.  Sofremos os percalços da batalha, adotando para nós a peleja daquele, ouvimos suas queixas, presenciamos suas lágrimas. O Estado Juiz tem obrigação de fornecer a jurisdição para o jurisdicionado e não para capricho nosso, advogados. No entanto cada vez que necessitamos uma cópia de um processo no Fórum Cívil desta Capital, parece que o causídico requer um privilégio para si, pelo qual terá que reservar horas.
Não bastasse termos que dominar o conhecimento técnico jurídico, a dialética, oratória, etc., ainda temos que travar uma verdadeira batalha diária para ressuscitar processos que são abortados, em todas as esferas, sem que seja respeitada minimamente a cognição vertical ou horizontal e, de exauriente, nada! Sem falar dos achados e perdidos nos cartórios, da falta de estacionamento, de atendimento, de elevadores, de esperar três horas por uma audiência, da falta de estrutura, da falta de respeito.
Cada vez que reclama justa aferição de seus honorários sucumbenciais, parece que é seu o direto que visa proteger e não um conseqüente obrigatório para a sua atuação persistente como representante necessário dos jurisdicionados, tanto quanto juízes e demais servidores.
Este profissional, com a face ruborizada, justifica seu esforço para obter resultados mínimos, explicando ao seu constituinte que o funcionamento do judiciário não está sob sua administração como se fosse uma extensão de seu escritório, mas sim que ambos, outorgantes e outorgados estão implorando o desempenho constitucional do Estado.
Assumimos uma batalha pela melhora da dicção das leis e do funcionamento do judiciário, outorgando-nos este mister, mas não o fazemos em causa própria, e sim para todos que serão afetados pelo Estado democrático de direito. É sob nossos ombros que desaba o desgosto e a decepção dos jurisdicionados. Somos nós os amortecedores de todo o sofrimento das partes, e junto com eles somos vítimas de sistemas e estruturas em colapso.
 Sem um poder judiciário eficaz, a Lei tem pouca ou nenhuma serventia. É como ter prisões de portões abertos. Sem judiciário eficiente, para que advogados? Será mais  adequado haverem gladiadores, no palco de uma luta de três, onde apenas a injustiça, carniceira expectadora, é a única que se aproveita. Se é certo, como citou Nietzche, na obra Humano, Demasiado Humano,  que "uma profissão é a espinha dorsal da vida", a espinha dorsal dos advogados nasceu gemelada com a de seus constituintes, e tem hérnia!

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